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A INCLUSÃO DE NEURODIVERGENTES NA ESCOLA SOLAR MENINOS DE LUZ

  • Foto do escritor: Solar Meninos de Luz
    Solar Meninos de Luz
  • há 15 horas
  • 4 min de leitura

Multiplicação do número de alunos com diagnóstico de autismo, ansiedade, hiperatividade e outros transtornos faz escola Solar Meninos de Luz implementar mudanças.


Chegada de crianças nascidas em plena pandemia pode ter influenciado aumento de casos.


Atividades artísticas têm se mostrado fundamentais nas ações de integração educacional na escola nascida na comunidade carioca.



Nos dois últimos anos o Solar Meninos de Luz, organização social sem fins lucrativos que promove educação integral na comunidade carioca Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, viu crescer o número de crianças com diagnóstico de neuro atípicas ou com transtornos mentais. Em 2025, quase 10% dos alunos apresentaram laudo médico ou estão em investigação por quadros de neurodivergência, Síndrome de Down, depressão ou ansiedade. Só numa turma de Educação Infantil de 21 alunos, quatro possuem diagnóstico desse tipo, variando entre TEA suporte 1 e 2, TDAH e TOD, podendo ainda surgir um quinto laudo, que está em avaliação. Esse é o maior salto de números na escola desde 2015, quando a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência foi criada.


Segundo Isabella Maltaroli, diretora da instituição, esse aumento pode ter diferentes razões. Uma delas é o maior acesso da população aos serviços de diagnóstico e a formação de profissionais capazes de detectar o transtorno. Além disso, pais, professores e pediatras estão mais informados para identificar os primeiros sinais. Mas fatores ambientais e sociais influem também. “Estão chegando agora nas escolas as crianças nascidas em plena pandemia, o que pode ter influenciado esse aumento de casos na Educação Infantil. Se para quem vive no asfalto, a quarentena trouxe muitos desafios, nas comunidades esses foram ainda maiores”, observa a diretora.


MUDANÇAS NA ESCOLA PARA LIDAR COM O DESAFIO


Para lidar com o aumento de casos, o Solar, eleito a Melhor ONG do Rio de Janeiro e uma das 100 melhores do Brasil pelo quinto ano, implementou mudanças. Uma delas foi a contratação de 12 novos mediadores, que acompanham os alunos neurodivergentes dentro da sala de aula. Esses profissionais foram treinados internamente de forma a conhecer as necessidades específicas de cada aluno.


Outra novidade é a Sala de Recursos, composta por materiais didáticos apropriados para estimular algumas habilidades nos estudantes, ajudando-os a acompanhar melhor os conteúdos em sala de aula. São estimuladas habilidades como atenção e concentração, por meio de jogos de memória, de combinação, de percepção e discriminação, de classificação, de cálculos matemáticos, de alfabetização, de estimulação psicomotora etc.


Todo o quadro de professores também passou por treinamento com base em planejamentos e relatórios específicos feitos para cada caso. A supervisão do trabalho é do “Movimento Paratodos”, organização voltada para a inclusão de pessoas com deficiência na sociedade, coordenada por Ciça Melo e por Joana Figueira de Mello.



A IMPORTÂNCIA DAS ATIVIDADES ARTÍSTICAS NA INCLUSÃO



A pedagoga Alessandra Almeida, coordenadora de atividades complementares do Solar Meninos de Luz, conhece de perto as dificuldades que envolvem a inclusão escolar. Sua filha Clarice, de 19 anos, tem Síndrome de Down. “Acompanhei de perto a vida escolar da Clarice desde que ela entrou no Solar, no 3º. ano do Fundamental até sua formatura, no 9º. ano, em 2024. Clarice foi a nossa “professorinha”, pois ao passar pelas diferentes séries, foi ensinando os professores a lidar com as deficiências”, conta Alessandra, que se especializou em psicopedagogia para ajudar na integração da filha e hoje usa sua própria experiência para lidar com os desafios da escola.


Uma das constatações de Alessandra em sua tese de mestrado sobre inclusão escolar e diversidade foi a importância das atividades artísticas. “Nas reuniões com os coordenadores, percebemos que os alunos com dificuldade de acompanhar as matérias dentro de sala eram ótimos em atividades artísticas. Usando a sensibilidade, eles conseguiam se expressar através do corpo, das artes, da música, do teatro, da dança ou do esporte. Numa atividade que lhe dá prazer, o aluno consegue se acalmar, se regular, se sentir integrado, se sentir melhor consigo mesmo”, explica ela. “Temos diversos exemplos vivos aqui”.


A ampla estrutura do Solar Meninos de Luz facilitou a pesquisa de Alessandra. Como a escola oferece Educação Integral em tempo integral, há uma gama enorme de atividades extras, que atendem a 430 alunos, do Fundamental I até o Ensino Médio. Cerca de 35 atividades complementares de livre escolha estão à disposição das crianças e jovens da escola: teatro, balé, jazz, instrumentos musicais (flauta, piano, percussão...), capoeira, basquete, judô, hip hop... “O aluno termina uma aula de redação e pode subir e fazer balé. Todo o nosso equipamento abraça os neurodivergentes. A inclusão é um valor onde imprimimos a verdadeira educação integral”, afirma Guilherme Maltaroli, diretor da escola.


EXEMPLOS VIVOS


João Pedro de Aquino, de 16 anos, é um bom exemplo da importância das atividades artísticas na integração escolar. “Por conta de uma hidrocefalia, ele tem o lado direito do corpo semiparalisado. Ainda assim decidiu fazer balé e é um dos mais dedicados. Não pede para mudar nenhum movimento e vai se adaptando”, conta Alessandra. Há também o caso de um aluno com histórico de ansiedade e depressão, que se encontrou na música. “Fez flauta e agora está no piano. Vai super bem. Clarice, com Síndrome de Down, faz aulas de violino, coral, teatro e balé, e seu próximo objetivo é passar para a sapatilha de ponta. Cada um enfrenta suas dificuldades, mas estão ali, persistem, reforçando sua autoestima”, conta Alessandra.


META É AUMENTAR NÚMERO DE VAGAS E DE APOIADORES


Criado em 1991, o projeto socioeducacional do Solar Meninos de Luz completa 35 anos de atividade educativa em agosto de 2026. A instituição cresceu e se mantém por meio de apoios e parcerias de empresas e pessoas físicas. Entre as metas para o futuro está aumentar em 100% o número de vagas totais da escola, mas, para isso, precisa aumentar o número de apoiadores, que hoje inclui instituições como a Fundação Paulo Coelho & Christina Oiticica, o Instituto Solea, entre outros. O retorno do que os apoiadores investem no Solar foi avaliado em 2024 pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS/SROI) e o resultado impressionou: de cada um real investido foram gerados R$ 7,05 em benefícios sociais para a comunidade, um retorno social de mais de R$ 43 milhões. Uma das formas de ajudar a instituição é através do projeto de apadrinhamento individual, onde o doador contribui de forma recorrente com uma quantia que será destinada ao suporte educacional. Mais informações, no site do Solar.


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