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A vida que você está escolhendo viver

  • Foto do escritor: Luti Christóforo
    Luti Christóforo
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Luti Christóforo – Psicólogo Clínico


















Existe uma pergunta que, em algum momento, todos nós deveríamos ter coragem de fazer: A vida que estou vivendo é realmente a vida que eu escolheria viver?


Não é uma pergunta simples. Porque, quando paramos para pensar, percebemos que muitas das nossas escolhas não foram exatamente escolhas. Foram respostas às expectativas dos outros, às circunstâncias, aos medos, às necessidades e às oportunidades que apareceram pelo caminho.


Escolhemos uma profissão porque alguém disse que seria melhor. Permanecemos em um relacionamento porque temos medo de começar novamente. Aceitamos situações que nos machucam porque acreditamos que não temos alternativa. Deixamos sonhos para depois porque sempre parece existir algo mais urgente.


E, sem perceber, podemos passar anos vivendo uma vida que foi sendo construída muito mais pelas circunstâncias do que pela nossa própria vontade. Até que um dia nos perguntamos: Quando foi que eu deixei de escolher?


A verdade é que nem sempre podemos escolher o que acontece conosco. Não escolhemos todas as perdas. Não escolhemos as despedidas. Não escolhemos algumas decepções. Não escolhemos as dificuldades que surgem pelo caminho.


Mas existe uma parte da vida que continua pertencendo a nós: a maneira como respondemos ao que nos acontece. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores responsabilidades da existência.


Escolher.


Escolher permanecer ou partir. Escolher insistir ou mudar de direção. Escolher perdoar ou continuar carregando ressentimentos. Escolher pedir ajuda. Escolher descansar. Escolher recomeçar. Escolher dizer não. Escolher dizer sim. Escolher, inclusive, reconhecer que uma decisão que fez sentido ontem pode não fazer mais sentido hoje.


Mudar de ideia não é necessariamente fracassar. Às vezes, é amadurecer. Temos uma tendência curiosa de acreditar que precisamos permanecer fiéis às escolhas que fizemos no passado, mesmo quando elas já não combinam com quem nos tornamos.


Mas nós mudamos. Nossos desejos mudam. Nossos valores amadurecem. Nossa percepção sobre a vida se transforma. E aquilo que parecia indispensável aos vinte anos pode deixar de fazer sentido aos quarenta. O que parecia impossível aos trinta pode se tornar uma possibilidade aos cinquenta.


A vida não é uma linha reta. É um caminho feito de escolhas, consequências, aprendizados e novos caminhos.


Por isso, talvez algumas perguntas sejam mais importantes do que outras. Você está onde gostaria de estar? As pessoas que estão ao seu lado fazem bem para você? O trabalho que ocupa grande parte dos seus dias ainda faz sentido? Você está cuidando da pessoa que se tornou ou continua tentando satisfazer expectativas que já não são suas? Quanto da sua vida está sendo vivido por desejo e quanto está sendo vivido por medo? Se nada mudasse nos próximos cinco anos, você estaria satisfeito com a vida que estaria levando?


Talvez essa última pergunta seja especialmente difícil.


Porque ela nos obriga a perceber que, muitas vezes, reclamamos da vida enquanto repetimos exatamente as mesmas escolhas que nos mantêm presos nela.


Queremos resultados diferentes, mas continuamos fazendo tudo da mesma maneira. Queremos relações mais saudáveis, mas continuamos aceitando aquilo que nos machuca. Queremos tranquilidade, mas não abrimos mão de tudo aquilo que nos mantém em permanente estado de tensão. Queremos uma vida diferente, mas temos medo das escolhas que poderiam torná-la possível.


É importante lembrar que escolher não significa ter controle absoluto sobre a própria existência. Não temos. Mas significa assumir alguma responsabilidade pela direção que estamos dando a ela.


Talvez você não possa mudar o passado. Mas pode decidir o que fará com aquilo que o passado deixou em você. Talvez não possa recuperar o tempo perdido. Mas pode escolher o que fará com o tempo que ainda possui. E talvez essa seja uma das maiores oportunidades que a vida nos oferece: a possibilidade de escolher novamente.


Não importa quantas vezes você tenha errado. Não importa quantas decisões tenham sido tomadas pelo medo. Não importa quanto tempo você tenha passado tentando ser aquilo que esperavam que você fosse.


Enquanto houver vida, existe possibilidade de mudança. Existe possibilidade de dizer “isso não me serve mais”. Existe possibilidade de começar. Existe possibilidade de voltar para si.


Talvez você não precise mudar toda a sua vida hoje. Talvez precise apenas fazer uma escolha diferente. Uma conversa que você vem adiando. Um limite que precisa ser estabelecido. Um pedido de desculpas. Um pedido de ajuda. Um sonho que pode finalmente sair da gaveta. Uma despedida. Um recomeço.


Às vezes, uma pequena escolha muda a direção de uma história inteira.


Por isso, antes de terminar este texto, faça uma pausa. Olhe para a sua própria vida. Não para a vida que os outros imaginam que você deveria ter. Olhe para a vida que existe quando ninguém está olhando. E pergunte a si mesmo, com honestidade: Se eu pudesse escolher novamente, escolheria viver exatamente assim?


Se a resposta for sim, valorize isso. Você construiu algo que faz sentido para você.

Mas, se a resposta for não, não transforme essa percepção em culpa. Transforme-a em consciência.


Porque perceber que não estamos felizes com o caminho não significa que fracassamos. Significa que finalmente estamos prestando atenção. E talvez seja justamente desse momento de consciência que nasça a coragem necessária para fazer uma nova escolha.


Afinal, a vida não é apenas aquilo que acontece conosco. É também aquilo que decidimos fazer com o que acontece conosco.


E talvez a pergunta mais importante não seja “O que a vida fez comigo?”, mas: “O que eu quero fazer com a vida que ainda tenho?”


Luti Christóforo

Psicólogo Clínico


WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

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