top of page

Abril Azul: dificuldades no banheiro em crianças com autismo vão além do comportamento

  • Caroline Soares
  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Constipação, escapes urinários e atraso no desfralde são comuns no Transtorno do Espectro Autista e exigem abordagem que considere aspectos sensoriais e fisiológicos


Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialistas chamam a atenção para um tema ainda pouco discutido: as dificuldades relacionadas ao uso do banheiro entre crianças autistas. Sintomas como intestino preso, escapes urinários e fecais e atraso no desfralde são frequentes nesse público e não devem ser interpretados apenas como questões comportamentais.


Estudos indicam que até 70% das crianças com TEA apresentam algum sintoma gastrointestinal, sendo a constipação intestinal o mais comum. Esse quadro pode impactar diretamente o funcionamento do assoalho pélvico infantil, levando a padrões de retenção, dor e medo do banheiro, além de prejuízos na qualidade de vida da criança e da família.


Segundo a fisioterapeuta Caroline Soares, especializada em saúde íntima e funcional da criança na Clínica Daniella Leiros, em Ribeirão Preto (SP), fatores sensoriais e neurológicos estão diretamente envolvidos nessas dificuldades.


“Muitas dessas crianças não reconhecem os sinais internos do corpo com clareza. Elas não percebem a vontade de evacuar ou urinar da mesma forma, e isso precisa ser trabalhado com respeito ao desenvolvimento neurológico”, explica.


Muito além do comportamento


A dificuldade no desfralde e no controle esfincteriano em crianças com autismo costuma ser associada, de forma equivocada, à resistência ou falta de disciplina. No entanto, especialistas destacam que o problema envolve aspectos fisiológicos e sensoriais que precisam ser compreendidos de forma mais ampla.


Alterações na percepção corporal, sensibilidade aumentada a estímulos e dificuldades de comunicação contribuem para que a criança não identifique ou não consiga responder adequadamente aos sinais do próprio corpo. Como consequência, o organismo entra em um ciclo de retenção, que pode agravar quadros de constipação e gerar escapes involuntários.


Abordagem integrada e acolhedora


A fisioterapia voltada à saúde íntima da criança tem papel importante nesse processo, utilizando estratégias que respeitam o tempo e as características individuais de cada paciente. Recursos lúdicos, orientação familiar e exercícios corporais são utilizados para reorganizar as funções intestinal e urinária.


“O tratamento ajuda o corpo a se comunicar melhor. Quando isso acontece, o comportamento melhora junto. Não é disciplina, é fisiologia”, destaca Caroline.

Ao reconhecer os sinais do corpo e buscar orientação adequada, famílias podem transformar um desafio cotidiano em um processo mais leve, respeitoso e alinhado às necessidades da criança autista.


@clinicadaniellaleiros

bottom of page