top of page

Aprender a não se abandonar para ser amado

Foto do escritor: Luti Christóforo
Luti Christóforo
10min
2 min de leitura

Por Luti Christóforo - Psicólogo


Existe uma forma silenciosa de sofrimento que começa quando acreditamos que, para sermos amados, precisamos nos tornar aquilo que o outro espera de nós. Deixamos de expressar nossas opiniões, escondemos o que nos incomoda e aceitamos situações que nos machucam por medo de perder alguém. Na tentativa de preservar uma relação, corremos o risco de perder o contato com nós mesmos.



Imagine um homem de 32 anos que evita contrariar a companheira, abandona atividades de que gosta e se afasta dos amigos para impedir conflitos. Para ele, qualquer desentendimento representa a possibilidade de ser abandonado. Por isso, prefere silenciar suas insatisfações a correr o risco de perder o relacionamento.


Pense também em uma mulher de 29 anos que procura ser perfeita em tudo o que faz. É uma profissional dedicada, uma filha disponível e uma companheira compreensiva. Dificilmente diz não, mesmo quando está exausta, pois teme decepcionar e acredita que estabelecer limites pode torná-la menos amada.


Esses exemplos fictícios ilustram uma dificuldade comum: colocar as necessidades dos outros acima das próprias por medo da rejeição. Embora se manifestem de maneiras diferentes, ambos os personagens parecem acreditar que precisam corresponder às expectativas alheias para merecer afeto.


Na Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, a persona representa a imagem que apresentamos ao mundo e os papéis que assumimos para nos adaptar à sociedade. Ela é necessária, mas, quando nos identificamos excessivamente com as expectativas externas, podemos esquecer quem somos para além desses papéis.


Essa experiência também pode atingir pessoas neurodivergentes que aprenderam a esconder características pessoais para evitar julgamentos e conquistar aceitação. O esforço constante para parecer adequado pode provocar exaustão e dificultar a construção de relações nas quais seja possível agir com mais autenticidade.


Amar envolve concessões, diálogo e disposição para compreender o outro. O problema começa quando deixamos de fazer escolhas livres e passamos a agir exclusivamente por medo. Existe uma diferença entre ceder porque reconhecemos a importância de alguém e renunciar a nós mesmos porque acreditamos que, sem isso, deixaremos de ser amados.


Aprender a não se abandonar significa reconhecer que nossos sentimentos também merecem espaço. Podemos discordar, estabelecer limites e expressar nossas necessidades sem que isso represente falta de amor. Em relações saudáveis, duas pessoas podem preservar suas individualidades sem transformar cada diferença em uma ameaça ao vínculo.


Vale perguntar: quantas vezes você deixou de dizer o que sentia por medo de desagradar alguém? Quantas escolhas fez por vontade própria e quantas foram motivadas pelo receio de decepcionar?


O amor não deveria exigir que você desaparecesse para que o outro pudesse permanecer. Existe uma diferença profunda entre ceder por amor e renunciar a si mesmo por medo. Reconhecer essa diferença é um passo importante para construir relações mais maduras e verdadeiras.


Ser amado é uma experiência profundamente humana, mas não precisamos deixar de ser quem somos para merecer esse amor.


Luti Christóforo

Psicólogo clínico

CRP 08/18577

WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

 
 
bottom of page