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Burnout em mães atípicas: quem cuida de quem cuida?

  • Foto do escritor: Jodeily de Aquino
    Jodeily de Aquino
  • há 16 horas
  • 3 min de leitura


















Existe um cansaço que não aparece quando a gente olha rapidamente para uma mãe.

Ela pode estar sorrindo. Pode estar trabalhando. Pode estar levando o filho à terapia, organizando a casa, respondendo mensagens da escola, marcando consultas e resolvendo mais uma coisa antes de dormir.

Por fora, parece que está dando conta.

Por dentro, talvez esteja apenas tentando chegar ao fim do dia.

Quando falamos de maternidade atípica, costumamos falar muito sobre a criança. Sobre o diagnóstico, as terapias, a inclusão, a escola, os direitos e os caminhos que precisam ser construídos.

Tudo isso é fundamental.

Mas existe uma mulher vivendo essa realidade todos os dias.

E muitas vezes ela fica escondida atrás da palavra “mãe”.

A mãe atípica pode passar anos colocando as necessidades do filho antes das próprias. Não porque não se importe consigo mesma, mas porque o cuidado exige tempo, energia, dinheiro, disponibilidade e, muitas vezes, uma força que ela nem sabia que tinha.

Ela aprende a conhecer cada comportamento, cada crise, cada mudança de rotina.

Aprende a lutar.

Aprende a insistir.

Aprende a explicar para os outros aquilo que vive dentro da própria casa.

E, pouco a pouco, pode deixar de perceber que também precisa de ajuda.

É nesse ponto que precisamos falar sobre burnout.

Não como um diagnóstico que deve ser colocado sobre toda mãe atípica, mas como um alerta para uma realidade que não pode ser ignorada: o esgotamento provocado por uma rotina de cuidado intensa e prolongada pode atingir profundamente a mulher.

O problema é que muitas mães não se permitem parar.

Como parar se o filho precisa dela?

Como descansar quando existem consultas?

Como cuidar da própria saúde quando a prioridade parece sempre ser outra?

Como dizer “eu não estou bem” quando todos esperam que ela seja justamente a pessoa que sustenta a família?

E existe ainda uma culpa silenciosa.

A culpa por estar cansada.

A culpa por querer alguns minutos sozinha.

A culpa por sentir saudade da mulher que era antes da maternidade.

A culpa por desejar voltar a trabalhar.

A culpa até por admitir que, às vezes, não consegue mais.

Mas estar cansada não significa amar menos.

Precisar de ajuda não significa ser uma mãe pior.

Sentir falta de si mesma não significa rejeitar o filho.

Significa apenas que existe uma mulher ali também.

Por isso, acredito que precisamos mudar a forma como enxergamos a maternidade atípica.

Autismo e maternidade atípica não são assuntos separados.

Quando uma criança precisa de uma rede de cuidados, a mãe muitas vezes se torna uma das principais pessoas responsáveis por fazer essa rede funcionar.

Então, quando falamos sobre autismo, precisamos olhar para a família.

E, dentro da família, precisamos olhar para quem frequentemente está carregando uma parte enorme desse peso.

A pergunta não deveria ser somente:

“Como podemos cuidar melhor dessa criança?”

Também precisamos perguntar:

“Como podemos cuidar melhor dessa mãe?”

Talvez seja necessário criar mais espaços de escuta, descanso, acolhimento, saúde emocional, orientação e rede de apoio.

Talvez seja necessário parar de admirar apenas a força dessas mulheres e começar a perguntar por que elas precisam ser tão fortes o tempo inteiro.

Porque uma mãe não deveria precisar chegar ao limite para finalmente ser percebida.

Cuidar de quem cuida não é tirar a atenção da pessoa autista.

É fortalecer toda a família.

É compreender que inclusão também passa pela saúde de quem acompanha, protege, luta e ama.

No fim, talvez a pergunta mais simples seja justamente a mais importante:

“Quem cuida de quem cuida?”

Essa pergunta não é apenas sobre mães atípicas.

É sobre que tipo de sociedade queremos construir.

Uma sociedade que espera que essas mulheres suportem tudo sozinhas?

Ou uma sociedade que entende que, para cuidar de uma criança, também precisamos cuidar da mulher que está ao lado dela?

Eu escolho a segunda.


Jodeily de Aquino.

Neuropsicanalista

12-992280922

LinkedIn: Instituto Jodeily

Instagram: @jodeilydeaquino01


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