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Entre querer fazer e conseguir começar

Foto do escritor: Luti Christóforo
Luti Christóforo
há 5 minutos
2 min de leitura

Por Luti Christóforo - Psicólogo



Você sabe que precisa fazer determinada tarefa, entende sua importância, deseja concluí-la, mas, por alguma razão, não consegue começar. O tempo passa, outras atividades aparecem e aquilo que parecia simples se transforma em uma fonte de ansiedade e culpa. No final do dia, a sensação é de que você poderia ter feito muito mais, mas novamente não conseguiu colocar seus planos em prática.


Essa experiência é especialmente conhecida por muitas pessoas com TDAH. A dificuldade de iniciar tarefas pode estar relacionada às funções executivas, responsáveis por processos como planejamento, organização, gerenciamento do tempo e regulação da atenção. Não significa necessariamente falta de interesse ou preguiça. Muitas vezes, a pessoa quer fazer, sabe o que precisa ser feito, mas encontra uma barreira entre a intenção e a ação.



Em algumas pessoas autistas, dificuldades com mudanças de atividade, necessidade de previsibilidade, sobrecarga sensorial ou excesso de demandas também podem tornar o início de uma tarefa mais difícil. Cada pessoa tem seu funcionamento particular, mas o resultado pode ser semelhante: uma sensação frustrante de querer avançar e não conseguir.


Pense em alguém que precisa responder a um e-mail importante. A tarefa levaria poucos minutos, mas a pessoa começa a imaginar todas as possibilidades, preocupa-se com a resposta, revisa mentalmente o que pretende escrever e acaba adiando. Em outro momento, alguém precisa organizar a casa, mas, diante de tantas coisas para fazer, não consegue decidir por onde começar. O que parece simples para quem observa pode representar um esforço significativo para quem está vivendo a situação.


O sofrimento aumenta quando essas dificuldades são interpretadas como falhas de caráter. A pessoa começa a se chamar de preguiçosa, irresponsável ou incapaz. Com o tempo, a autocobrança se transforma em mais um obstáculo, pois a ansiedade diante da tarefa torna ainda mais difícil iniciá-la.


É importante lembrar que nem toda procrastinação está relacionada à neurodivergência. Ansiedade, medo de errar, perfeccionismo, insegurança e esgotamento emocional também podem interferir na capacidade de agir. Por isso, compreender o que está por trás do comportamento é mais importante do que simplesmente tentar combatê-lo.


O autoconhecimento pode ajudar a identificar quais situações dificultam o início das atividades. Dividir uma tarefa grande em pequenas etapas, reduzir distrações, estabelecer prioridades realistas e começar por alguns minutos são estratégias que podem facilitar esse processo. Em alguns casos, o acompanhamento psicológico também é importante para compreender as dificuldades e desenvolver recursos adequados.


Na perspectiva da Psicologia Analítica, conhecer a si mesmo também significa reconhecer nossos limites, conflitos e formas particulares de funcionamento. Não precisamos transformar cada dificuldade em uma acusação contra nossa própria capacidade.


Talvez você não precise de mais cobranças, mas de compreender melhor o que acontece entre aquilo que deseja fazer e aquilo que consegue realizar.


Nem sempre começar será fácil. Mas aprender a respeitar o próprio funcionamento, encontrar caminhos possíveis e abandonar a culpa excessiva pode transformar a maneira como lidamos com nossas dificuldades.


Às vezes, o primeiro passo não é fazer tudo. É simplesmente descobrir como começar.


Luti Christóforo

Psicólogo clínico

CRP 08/18577

WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

 
 
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