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O ano só começa agora? TDAH, procrastinação e a retomada da rotina pós-Carnaval

  • Foto do escritor: Laura Zambotto
    Laura Zambotto
  • 29 de jan.
  • 2 min de leitura

No Brasil, é comum dizer que o ano só começa depois do Carnaval. Para muitas pessoas, isso é apenas uma brincadeira cultural. Para quem convive com o TDAH, porém, essa sensação pode se transformar em dificuldade real de retomar a rotina, acompanhada de procrastinação, ansiedade e culpa.


A quebra prolongada da rotina — comum nas férias e no período de festas — afeta diretamente a organização interna. Crianças com TDAH tendem a funcionar melhor com previsibilidade, ritmo e repetição. Quando isso se perde, o retorno exige um esforço emocional e cognitivo muito maior.



A procrastinação em uma pessoa com TDAH não deve ser encarada como “falta de caráter”, mas sim uma economia do cérebro. Estudos sobre esse tema mostram que quanto mais o cérebro “desvaloriza” recompensas futuras, mais ele prefere o alívio imediato de adiar.


Por que a retomada é tão difícil para quem tem TDAH?


Porque recomeçar envolve:


● planejamento

● ativação da atenção

● regulação emocional

● adaptação a regras e horários


Tudo isso ao mesmo tempo. Sem apoio, o cérebro entra em modo de evitação: adia, trava ou se distrai. Por isso, é importante a criança ser preparada para a retomada já em casa, tentando manter uma rotina parecida com o que será esperado após o retorno das atividades planejadas. Por exemplo, já começar a acordar, almoçar, brincar, jantar parecido com o que será definido após o retorno do Carnaval.


Como ajudar crianças com TDAH a retomar a rotina sem sofrimento


1. Comece pequeno e constante

Não tente “voltar com tudo”. Escolha um único hábito para recomeçar: horário de acordar, rotina de estudos ou organização da mochila. Pequenos passos repetidos são mais eficazes do que grandes mudanças.


2. Crie marcos concretos de início

Datas abstratas como “segunda-feira” ou “agora vai” não ajudam muito. Um quadro visual de rotina ou um horário fixo diário sinaliza para o cérebro que algo começou.


3. Ajuste expectativas

Nos primeiros dias, o foco não é desempenho máximo, e sim readaptação. Cobrança excessiva gera mais resistência e mais procrastinação.


4. Regule o corpo antes de exigir foco

Respiração, água, luz natural e pausas curtas ajudam o sistema nervoso a sair do modo agitado e entrar em estado de maior presença.


Rotina não é rigidez, é apoio


Uma rotina bem construída não aprisiona — ela reduz o esforço mental. Quando a criança não precisa decidir tudo o tempo todo, sobra energia para aprender, brincar e se desenvolver.


Se o ano “começa agora”, tudo bem. O que importa é que ele comece de forma possível, respeitando o ritmo da criança e oferecendo estrutura suficiente para que ela não precise lutar sozinha contra o próprio funcionamento.


Laura Zambotto Psicóloga | Terapeuta holística e integrativa






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