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O encontro com pessoas que nos fazem florescer

  • Foto do escritor: Luti Christóforo
    Luti Christóforo
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Como relacionamentos saudáveis ajudam a revelar nossa melhor versão


texto de Luti Christóforo - Psicólogo


Nem todas as pessoas que passam pela nossa vida nos transformam da mesma maneira.


Existem relacionamentos que nos encolhem. Relações nas quais aprendemos a medir palavras, esconder emoções, controlar gestos e esconder partes de quem somos. São vínculos onde a aceitação parece depender de desempenho, de adaptação constante e de uma espécie de personagem que construímos para sermos amados.



Mas também existem pessoas que produzem exatamente o efeito oposto


Pessoas que nos fazem florescer.


Talvez uma das maiores descobertas que a maturidade emocional nos proporciona seja perceber que a saúde mental não depende apenas do que acontece dentro de nós. Ela também é profundamente influenciada pelos ambientes que frequentamos e pelas relações que cultivamos.


Nenhum ser humano se desenvolve sozinho.


Todos nós florescemos ou adoecemos, em maior ou menor grau, dentro dos vínculos que construímos.


No consultório, ao longo dos anos, acompanhei inúmeras histórias de pessoas que passaram décadas acreditando que eram difíceis, exageradas, sensíveis demais ou complicadas. E muitas vezes não eram.


Elas apenas estavam cercadas por pessoas incapazes de compreender sua forma de existir.


Lembro de uma paciente adulta, diagnosticada tardiamente com TDAH, que havia passado a vida inteira se sentindo inadequada. Em relacionamentos anteriores, era constantemente criticada por sua intensidade emocional, por sua desorganização e por sua necessidade de conversar sobre sentimentos.


Alguns anos depois, em uma sessão, ela me disse:


“Não sei se fui eu que mudei ou se finalmente encontrei alguém que não me faz sentir errada.”


A resposta, provavelmente, era ambas.


Porque relacionamentos saudáveis não apenas acolhem. Eles revelam.


Pessoas seguras emocionalmente têm o poder de nos mostrar partes bonitas de nós mesmos que talvez nunca tivéssemos conseguido enxergar sozinhos.


Isso vale para amores.


Vale para amizades.


Vale para relações entre pais e filhos.


Vale para irmãos.


Vale para colegas de trabalho.


Vale até para terapeutas.


Existem pessoas cuja presença nos faz respirar mais devagar.


Não porque resolvem nossos problemas.


Mas porque sua presença comunica algo que talvez tenhamos esperado a vida inteira ouvir:


“Você não precisa se esconder aqui.”


Essa é uma experiência profundamente transformadora.


Porque muitos neurodivergentes cresceram aprendendo a usar máscaras.


Máscaras para parecer menos intensos.


Máscaras para parecer mais organizados.


Máscaras para parecer mais sociáveis.


Máscaras para parecer menos sensíveis.


Máscaras para parecer “normais”.


E usar máscaras o tempo inteiro é cansativo.


No fundo, todos nós queremos um lugar onde possamos descansar delas.


Queremos relações onde não seja necessário explicar tudo.


Onde não seja preciso provar valor o tempo inteiro.


Onde nossas dificuldades não sejam motivo de vergonha.


Onde nossas diferenças não sejam vistas como defeitos.


Relacionamentos saudáveis não exigem perfeição.


Exigem presença.


Exigem respeito.


Exigem segurança emocional.


São relações em que podemos ser fortes, mas também podemos ser frágeis.


Podemos sorrir, mas também podemos chorar.


Podemos acertar, mas também podemos falhar.


E continuamos sendo amados.


A psicologia nos ensina que o desenvolvimento humano acontece através do encontro.


Ninguém descobre completamente quem é vivendo sozinho.


São os vínculos saudáveis que muitas vezes revelam nossos talentos, nossa beleza, nossa força e nossa humanidade.


É curioso perceber que algumas pessoas entram em nossa vida para nos ensinar a sobreviver.


Mas outras entram para nos ensinar a viver.


E talvez uma das maiores bênçãos emocionais que existam seja encontrar alguém diante de quem não precisamos nos diminuir.


Alguém que não nos peça para mudar nossa essência.


Alguém que não exija máscaras.


Alguém cuja presença nos faça perceber que nunca fomos demais.


Nunca fomos insuficientes.


Nunca fomos errados.


Estávamos apenas esperando o ambiente certo para florescer.


Porque flores não se tornam mais bonitas quando são forçadas.


Elas apenas precisam de luz, tempo e cuidado.


E o mesmo acontece com as pessoas.


Luti Christóforo

Psicólogo clínico

WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

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