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Autismo em números: por que informação e diagnóstico são cada vez mais importantes

Foto do escritor: Thiago Castro
Thiago Castro
há 2 horas
2 min de leitura

Com o aumento dos diagnósticos e novos dados sobre o TEA, acompanhar o desenvolvimento infantil e reconhecer sinais persistentes pode contribuir para uma identificação mais precoce e um suporte adequado às necessidades de cada criança


Por Dr. Thiago Castro


Os números sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) ajudam a dimensionar uma realidade presente em milhões de famílias. Dados recentes do CDC, nos Estados Unidos, apontaram que aproximadamente uma em cada 31 crianças de 8 anos foi identificada com autismo em 2022. No Brasil, o Censo 2022 trouxe, pela primeira vez, informações censitárias sobre pessoas diagnosticadas com TEA.


Como pediatra, acredito que esses números devem servir menos para provocar preocupação e mais para ampliar informação. Quanto melhor conhecemos o desenvolvimento infantil, maiores são as chances de perceber quando uma criança precisa de uma avaliação mais cuidadosa.


















O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento e pode se manifestar de formas bastante diferentes. Alterações na comunicação e na interação social, dificuldade em compartilhar brincadeiras, comportamentos repetitivos, interesses restritos e respostas diferentes a estímulos sensoriais estão entre os sinais que podem chamar atenção.


Isso não significa que um comportamento isolado seja suficiente para concluir que uma criança é autista. Mais importante do que procurar um diagnóstico a qualquer custo é conhecer o desenvolvimento esperado para cada fase e investigar quando existem sinais persistentes de que algo não está acontecendo como esperado.


Essa observação também não deve ficar restrita à família. Pediatras, professores e outros profissionais que convivem com a criança podem identificar particularidades importantes. O acompanhamento pediátrico regular permite observar linguagem, comportamento, interação social e aquisição de habilidades ao longo do tempo.


Outro ponto que merece atenção é a diferença entre meninos e meninas. O TEA é identificado com maior frequência no sexo masculino, mas pesquisadores investigam se parte das meninas pode permanecer sem diagnóstico ou recebê-lo mais tarde devido a diferenças na manifestação dos sinais e às estratégias de adaptação social.


É importante lembrar que não existe exame de sangue ou teste único capaz de diagnosticar o autismo. O diagnóstico é clínico e considera desenvolvimento, comunicação, comportamento e histórico individual. Da mesma forma, não existe uma trajetória única depois da identificação. Cada criança possui características, potencialidades e necessidades próprias.


Também precisamos combater informações falsas que ainda circulam. Vacinas não causam autismo. Essa associação já foi amplamente investigada e não encontra respaldo nas evidências científicas.


Aos pais, minha orientação é não ignorar uma preocupação persistente sobre o desenvolvimento do filho, mas também não transformar cada comportamento infantil em motivo de medo. Observar, conversar com o pediatra e, quando necessário, procurar uma avaliação especializada são caminhos mais seguros.


Diagnosticar não é colocar uma criança dentro de uma definição. É compreender melhor suas necessidades para que ela possa receber o suporte adequado no momento certo.


Sobre o autor


Dr. Thiago Castro é médico pediatra, com atuação voltada à saúde e ao acompanhamento do desenvolvimento infantil. Em sua prática, orienta famílias sobre prevenção, crescimento, comportamento e identificação de sinais que possam indicar a necessidade de investigação especializada durante a infância.

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