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Com 1,1 milhão de crianças e adolescentes com autismo no Brasil, integração entre terapias ganha importância no cuidado

Completamente
há 21 horas
3 min de leitura

Modelo interdisciplinar busca conectar diferentes especialidades para que avanços obtidos em uma terapia sejam incorporados a outros ambientes e situações da rotina da criança






















São Paulo, setembro de 2026 — Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Fisioterapia e outras especialidades podem fazer parte da rotina de uma mesma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O desafio, nesses casos, não está apenas em oferecer diferentes terapias, mas em conectar objetivos, avaliações e estratégias para que o desenvolvimento de uma habilidade em uma área também possa contribuir para avanços em outras frentes.


A discussão ganha dimensão diante dos primeiros dados oficiais sobre autismo no Brasil. Segundo o Censo Demográfico 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros declararam ter recebido diagnóstico de TEA por um profissional de saúde, o equivalente a 1,2% da população. Entre crianças e adolescentes de até 19 anos, são aproximadamente 1,1 milhão de pessoas. A maior proporção foi identificada entre crianças de 5 a 9 anos, faixa em que 2,6% tinham diagnóstico declarado de autismo.


A integração do cuidado também entrou no debate das políticas públicas. Em 2026, o Ministério da Saúde colocou em consulta pública a revisão do Guia de Cuidado Integral às Pessoas com TEA, documento que amplia a abordagem para diferentes fases da vida e reforça a articulação entre os pontos da rede de atenção à saúde.


É dentro dessa lógica que a CompletaMente estruturou seu modelo de atendimento. Atualmente, a rede reúne 112 profissionais de nove especialidades, que realizam cerca de 13 mil atendimentos por mês em quatro unidades. Os casos são discutidos periodicamente pelos profissionais envolvidos no acompanhamento de cada criança, com apoio de coordenações e supervisões técnicas.


“Ter vários especialistas atendendo a mesma criança não significa, necessariamente, que exista um trabalho interdisciplinar. Se cada profissional olha apenas para os objetivos da sua própria área, podemos perder oportunidades de fazer com que uma habilidade adquirida em uma terapia seja utilizada em outros contextos. A integração começa quando existe troca de informação, definição conjunta de prioridades e acompanhamento do desenvolvimento como um todo”, afirma Ronaldo Ranieri, diretor da CompletaMente.


O ponto de partida são instrumentos de avaliação validados, utilizados para identificar habilidades já adquiridas, necessidades de desenvolvimento e prioridades para cada criança. A partir dessas informações, são estabelecidos objetivos terapêuticos que podem ser acompanhados e revistos conforme a evolução observada nos atendimentos e na rotina do paciente.


Um exemplo está na interação entre Fonoaudiologia e Psicologia. Enquanto a primeira pode trabalhar aspectos relacionados à linguagem, compreensão e expressão, a Psicologia pode atuar sobre iniciativa comunicativa, interação social e utilização dessas habilidades em diferentes situações. Mais do que conseguir realizar determinada atividade durante a sessão, o objetivo é ampliar as chances de que a criança consiga usar aquele aprendizado espontaneamente em casa, na escola e em outros ambientes.


“Uma habilidade não termina na sala de atendimento em que foi desenvolvida. Se uma criança começa a avançar na comunicação, por exemplo, precisamos pensar em como esse recurso será estimulado pelos demais profissionais e também utilizado fora da clínica. É essa continuidade que ajuda a transformar uma aquisição terapêutica em uma habilidade funcional para a rotina”, explica Monique, supervisora e psicóloga da CompletaMente.


A mesma dinâmica pode envolver Fisioterapia e Psicomotricidade em objetivos relacionados a equilíbrio, coordenação, planejamento motor, consciência corporal e funcionalidade. Embora cada área tenha competências próprias, a troca de informações permite identificar de que maneira uma dificuldade motora, sensorial, comportamental ou comunicacional pode interferir também no trabalho desenvolvido por outra especialidade.


Outro aspecto acompanhado pela equipe é a generalização das habilidades, termo utilizado para descrever a capacidade de aplicar um aprendizado em pessoas, ambientes e situações diferentes daqueles em que ele foi inicialmente desenvolvido. Se uma criança aprende a pedir ajuda durante uma terapia, por exemplo, um dos objetivos é que consiga fazer o mesmo em casa, na escola ou diante de outras pessoas, e não apenas com determinado terapeuta.


A família, por isso, também integra o processo. Nas orientações parentais, pais e responsáveis recebem informações sobre estratégias que podem ser incorporadas ao cotidiano, permitindo que determinadas habilidades continuem sendo estimuladas fora do ambiente terapêutico. O acompanhamento combina dados obtidos nas avaliações, registros dos atendimentos e informações sobre o comportamento da criança em outros contextos para definir eventuais ajustes no plano.


“Quando falamos em desenvolvimento infantil, o resultado não pode ser medido apenas pelo que a criança consegue fazer diante do terapeuta. O que buscamos é que aquele avanço faça sentido na vida dela, seja para se comunicar melhor, conquistar autonomia, participar de uma atividade ou lidar com situações da rotina. Para chegar a isso, profissionais e família precisam olhar para os mesmos objetivos e compreender a criança de forma global”, conclui Ranieri.


@completamente.aba





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