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Mulheres neurodivergentes e o diagnóstico tardio: como o modelo clínico ignorou uma geração inteira

  • Foto do escritor: Alice Tufolo
    Alice Tufolo
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Mulheres neurodivergentes e o diagnóstico tardio: como o modelo clínico ignorou uma geração inteira


Durante décadas, os critérios diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do TDAH foram construídos com base em estudos realizados majoritariamente com meninos. Como consequência, milhares de mulheres cresceram sem diagnóstico, sendo frequentemente rotuladas como “sensíveis demais”, “desorganizadas”, “dramáticas” ou “intensas”, quando, na verdade, eram neurodivergentes não reconhecidas pelo sistema.


Pode haver a impressão de que ocorre uma menor taxa de diagnóstico entre as mulheres, mas na realidade o que há é um modelo clínico historicamente limitado. As primeiras pesquisas sobre autismo, desenvolvidas entre as décadas de 1940 e 1970, utilizaram amostras compostas principalmente por meninos. Esse recorte influenciou a construção dos manuais diagnósticos, os protocolos de triagem e a própria formação de profissionais de saúde por gerações.



Hoje, pesquisadores já reconhecem esse viés. Estudos indicam que mulheres autistas costumam receber o diagnóstico, em média, entre quatro e cinco anos mais tarde do que homens. Muitas chegam à vida adulta com diagnósticos prévios de ansiedade, depressão, transtorno borderline de personalidade ou transtornos alimentares, condições que podem coexistir, mas que, em alguns casos, mascaram características do autismo não identificadas anteriormente, segundo o estudo Transtorno de personalidade Bordeline como fator no diagnóstico tardio.


O fenômeno da camuflagem social


Um dos fatores que ajudam a explicar o diagnóstico tardio em mulheres é o chamado masking, ou camuflagem social. Desde a infância, muitas meninas neurodivergentes desenvolvem estratégias para se adaptar às expectativas sociais. Isso pode incluir observar e imitar expressões faciais, decorar padrões de conversa ou suprimir comportamentos repetitivos em ambientes públicos.


Embora essas estratégias possam facilitar a adaptação em determinados contextos, elas também exigem um esforço constante. Pesquisas associam o masking prolongado a maiores índices de ansiedade, depressão e esgotamento autístico (autistic burnout), além de impactos significativos na autoestima e no bem-estar emocional.


Quando o diagnóstico finalmente chega


Para muitas mulheres, receber um diagnóstico na adolescência ou na vida adulta pode gerar sentimentos ambivalentes. De um lado, há alívio ao finalmente compreender experiências que antes pareciam inexplicáveis. De outro, surge o luto pelos anos em que faltaram informação, apoio e acolhimento.


Nesse contexto, o diagnóstico costuma representar menos um ponto final e mais o início de um processo de autoconhecimento. Com mais acesso à informação e a comunidades de apoio, muitas mulheres passam a reinterpretar suas próprias trajetórias e a desenvolver estratégias que respeitem seu modo de funcionamento.


Um olhar mais amplo para a saúde mental


Cuidar da saúde mental de mulheres neurodivergentes exige ampliar a forma como o diagnóstico e o suporte são compreendidos. Isso inclui reconhecer que os critérios tradicionais foram historicamente baseados em padrões masculinos, considerar o impacto do masking ao longo da vida e escutar com atenção as experiências relatadas pelas próprias mulheres.


Mais do que ampliar diagnósticos, o desafio está em construir abordagens de cuidado que levem em conta diversidade de perfis, trajetórias e necessidades. Durante muito tempo, mulheres neurodivergentes foram interpretadas a partir de modelos que não as contemplavam.

Mudar esse cenário significa avançar em pesquisa, formação profissional e, sobretudo, em escuta. Porque reconhecer a neurodiversidade feminina não é apenas uma questão clínica, é também um passo importante para tornar a saúde mental mais inclusiva e representativa.


Genial Care

Genial Care é uma rede de cuidado de saúde atípica especializada em crianças autistas e suas famílias. Com várias clínicas em todas as regiões de São Paulo, a empresa combina modelos terapêuticos próprios, suporte educacional e tecnologia avançada para promover bem-estar e qualidade de vida no processo de intervenção. Com uma equipe dedicada de mais de 250 profissionais, a Genial Care tem como propósito garantir que cada criança alcance seu máximo potencial.  Saiba mais: Site / YouTube / Instagram / Facebook / LinkedIn 


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