A IMPORTÂNCIA DO PROPÓSITO A BUSCA DE SENTIDO NA EXPERIÊNCIA NEURODIVERGENTE
- Luti Christóforo

- 16 de jan.
- 2 min de leitura
Texto de Luti Christóforo - Psicólogo
Poucas coisas são tão transformadoras quanto a descoberta de um propósito. Para pessoas neurodivergentes, esse movimento não é apenas existencial. É terapêutico. É um processo que reorganiza a identidade, redefine a relação com o mundo e oferece um sentido capaz de iluminar trajetórias marcadas por incompreensão, esforço e sensibilidade elevada.
Grande parte do sofrimento na neurodivergência surge da sensação de inadequação. A pessoa passa anos tentando se adaptar a ambientes, expectativas e ritmos que não correspondem ao seu funcionamento interno. Vive com a impressão de estar sempre atrasada, sempre falhando, sempre tentando compensar. Essa luta constante esgota, machuca e confunde.

Mas quando a pessoa encontra um propósito, algo muda profundamente.
O foco deixa de estar no déficit e passa a estar na direção.
O peso deixa de estar na comparação e passa a estar na verdade interna.
A narrativa deixa de ser sou diferente e passa a ser eu existo para algo maior que isso.
O propósito não elimina a neurodivergência. Ele reorganiza sua importância.
Tudo aquilo que antes parecia obstáculo começa a ganhar outra leitura.
A sensibilidade deixa de ser fraqueza e passa a ser canal de empatia.
A intensidade deixa de ser exagero e passa a ser combustível.
O foco hiperconcentrado deixa de ser rigidez e passa a ser potência criativa.
O pensamento não linear deixa de ser confusão e passa a ser inovação.
Vejo isso no consultório com frequência. Quando um paciente neurodivergente encontra algo que faz sentido para ele, sua energia emocional muda. Ele deixa de se punir por não se encaixar no que esperavam dele e passa a caminhar em direção ao que o faz vibrar. Sua autoestima cresce. Sua clareza interna se expande. Sua vida começa a adquirir coerência.
O propósito também cria pertencimento. Pessoas neurodivergentes, que tantas vezes sentiram que não tinham espaço no mundo, descobrem que existe um lugar onde sua mente faz sentido. Onde seus talentos não são estranhos. Onde suas percepções são valorizadas. Onde sua forma de existir é bem-vinda.
Mas é importante lembrar que propósito não é obrigação. Não é produtividade. Não é missão heroica. Propósito é aquilo que dá sentido à existência. Pode ser uma profissão, uma arte, um relacionamento, um projeto, uma causa, um movimento interno. Pode ser algo grandioso ou pode ser algo simples. O que importa não é o tamanho do propósito, e sim a verdade contida nele.
A neurodivergência deixa de ser dor quando encontra direção.
E essa direção não precisa ser perfeita. Precisa ser verdadeira.
A busca pelo propósito é, no fundo, a busca por si mesmo.
É o momento em que a pessoa deixa de se definir pelo que sofreu e passa a se definir pelo que pode construir.
É quando ela percebe que sua história não é determinada pelas dificuldades, mas pela coragem de transformá-las em caminho.
Luti Christóforo
Psicólogo clínico.
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