Adaptação Escolar: 5 sinais de que o PEI do seu filho precisa de revisão
- Gabriela Meneghitti

- há 1 dia
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A volta às aulas costuma ser um momento desafiador para muitas famílias, mas, para os alunos que apresentam necessidades educacionais mais específicas, esse período pode ser extremamente sensível. Mudanças de rotina, novos professores, barulhos, cheiros e regras diferentes exigem um grande esforço de adaptação. Mesmo crianças que gostam do ambiente escolar, podem apresentar sinais de estresse nesse início, envolvendo: alterações no sono, maior irritabilidade e resistência para ir à escola.
É nesse contexto que o Plano de Ensino Individualizado (PEI) se torna uma ferramenta importante. O PEI é um documento que descreve as habilidades e necessidades do estudante, define prazos e metas a serem alcançadas, e deve conter quais tipos de serviços, recursos humanos, acessibilidade, objetivos, suportes e avaliações o estudante necessita para obter sucesso em seu processo de escolarização.

Ademais, o PEI é um documento elaborado em equipe, sendo eles: professor de sala; professor de Educação Especial; a equipe gestora da escola (diretora e coordenação); os pais dos estudantes e, se possível, o próprio estudante. Um bom PEI respeita o ritmo de aprendizagem, adapta avaliações e orienta a atuação dos professores na inclusão do indivíduo. Dentro desta equipe, também pode-se citar os profissionais especialistas que atuam nas áreas de: Medicina, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Psicopedagogia, Fisioterapia, Assistência social e demais profissionais de áreas correlatas.
É importante lembrar que o PEI não é um documento fixo, ou seja, diante das demandas apresentadas, deve estar em constante mudança de acordo com as primeiras semanas de aula. Pensando nisso, alguns sinais podem ajudar as famílias a identificar quando o PEI pode não estar sendo efetivo e necessita de revisão.
O primeiro sinal é a desregulação emocional: choro excessivo, crises de ansiedade e irritabilidade podem indicar que as adaptações descritas no PEI não estão sendo efetivas. É importante frisar que adaptação escolar não deve significar sofrimento constante, visto que, um desconforto inicial é esperado, mas o sofrimento recorrente não;
O segundo sinal é o aumento de comportamentos desafiadores: agressividade, recusa escolar, regressões comportamentais ou crises frequentes podem indicar que as necessidades reais do indivíduo estão desalinhadas com a demanda escolar. Entre esses comportamentos, entram o aumento de estereotipias ou buscas sensoriais mais intensas, indicando uma possível sobrecarga;
O terceiro sinal se trata da ausência de progresso: Ao perceber que, mesmo após algumas semanas o indivíduo ainda não apresenta avanços acadêmicos, perda de habilidades já adquiridas anteriormente ou demonstra desmotivação por atividades de interesse, isso pode indicar que os objetivos do PEI não estão adequados ao seu nível de desenvolvimento ou que as estratégias utilizadas não estão sendo eficazes;
O quarto sinal está relacionado ao sentimento de pertencimento: Quando o indivíduo se sente diferente ou constantemente excluído em relação ao restante dos colegas, algo precisa ser revisto. Um PEI não serve apenas para a parte educacional, mas também para trabalhar a autoestima, autonomia e o senso de inclusão. Por este motivo, é de suma importância manter conversas frequentes com esses alunos, com o intuito de investigar a eficácia do PEI;
O quinto e último sinal se refere a dificuldade de generalizar aprendizados: Se o indivíduo aprende algo em um contexto, mas não consegue aplicar em outros ambientes, pode indicar que as estratégias podem estar muito rígidas ou pouco funcionais. Este sinal é importante pois avalia se os objetivos e estratégias do PEI estão realmente alinhados com as demandas das crianças, além disso, avalia se os profissionais que estão envolvidos estão se adequando ao combinado.
Nem sempre os sinais são claros ou imediatos. Muitas vezes, é o corpo e o comportamento que comunicam antes mesmo das palavras. Estar atento a essas manifestações é fundamental para que o PEI cumpra seu verdadeiro papel como instrumento de inclusão, a adaptação escolar acontece ao longo do tempo, e não em um único momento. Quando família, escola e profissionais atuam em parceria, o retorno às aulas pode se tornar um espaço de desenvolvimento, crescimento e segurança.
Gabriela Meneghitti Psicóloga CRP: 06/218745
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