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Ansiedade social em neurodivergentes: quando o encontro vira um campo de batalha interno

  • Foto do escritor: Luti Christóforo
    Luti Christóforo
  • 29 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Por Luti Christóforo – Psicólogo


Participar de uma roda de conversa, fazer uma apresentação na escola ou simplesmente responder a um cumprimento pode ser uma experiência angustiante para muitas pessoas neurodivergentes. O que para outros parece simples, para elas é como enfrentar um campo de batalha interno. Esse sofrimento tem nome: ansiedade social.


A ansiedade social é um medo intenso de ser julgado, exposto ou rejeitado em situações de interação. Em pessoas neurodivergentes, como aquelas com autismo, TDAH, dislexia ou altas habilidades, esse medo costuma ser ainda maior, pois já convivem com a sensação de serem diferentes e frequentemente carregam experiências de exclusão ou incompreensão.



Na clínica, atendi um paciente universitário que sempre evitava seminários, festas e até encontros informais. Ele descrevia o medo de “falar alguma bobagem” ou “agir de forma estranha” diante dos colegas. A cada situação social, vinha um turbilhão de pensamentos: “eles vão rir de mim”, “vão perceber que sou diferente”, “vão achar que não pertenço”. Esse ciclo de autocrítica o paralisava e o levava a se isolar.


É importante compreender que a ansiedade social não é apenas timidez. Trata-se de uma condição que provoca sintomas físicos como taquicardia, suor excessivo, tremores, e emocionais como bloqueio na fala e sensação de estar fora de lugar. E, quanto mais a pessoa tenta se forçar a se encaixar sem apoio, maior se torna a exaustão.


A psicoterapia, nesse contexto, atua em duas frentes. Primeiro, ajuda a pessoa a reconhecer e validar seus sentimentos, entendendo que não se trata de fraqueza, mas de uma dificuldade real que pode ser trabalhada. Segundo, oferece ferramentas práticas, como técnicas de respiração, ensaio de habilidades sociais em ambiente seguro e a reestruturação de pensamentos autocríticos.


O papel da sociedade também é fundamental. Acolher significa criar espaços onde não é preciso performar perfeição, mas ser aceito como se é. Pequenas atitudes de empatia, como ouvir sem pressa ou respeitar silêncios, podem transformar a experiência social de quem enfrenta a ansiedade.


O caminho não é eliminar as diferenças, mas aprender a conviver com elas. Porque quando o medo de ser julgado dá lugar à sensação de pertencimento, a vida social deixa de ser uma batalha e passa a ser um espaço possível de encontro e crescimento.


Luti Christóforo

Psicólogo clínico.

WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

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