Camila Canguçu: a jornada de uma psicóloga e mãe especializada no tratamento do autismo e em saúde mental
- Camila Canguçu

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Doutora em psicologia por universidade americana, professora tem filho com autismo e supervisiona Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro Autista (PRATEA) da Unicamp

São Paulo, agosto de 2026 - A ciência e a maternidade andam juntas na trajetória da paulista Camila Canguçu, doutora em psicologia pela universidade americana Medaille College e supervisora do Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro do Autismo (PRATEA) da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Graduada pela PUC de Campinas, Camila Canguçu já era mestre em psicologia pela Universidade São Francisco (USF) e atendia no próprio consultório, quando se mudou para os Estados Unidos com o marido em 2005. Trabalhou na Universidade de Buffalo em diferentes projetos das áreas de transtornos relacionados a substâncias e transtornos aditivos, além de desenvolvimento infantil. Em 2009, nasceram os filhos gêmeos, um deles autista. Mesmo sem rede de apoio familiar por perto e com todas as dificuldades de quem inicia uma nova vida em um país diferente, Camila decidiu cursar doutorado.
“Nos Estados Unidos, o doutorado é um pré-requisito para a formação em psicologia clínica. Sem essa especialização, eu não poderia atuar como psicóloga. Essa exigência me obrigou a começar tudo de novo. Não foi nada fácil, mas como trabalhei anos na área de pesquisa, tive muito apoio dos meus supervisores e diretores de projeto. Eles foram a minha principal rede de apoio”, conta Camila.
Ao mesmo tempo em que buscava diagnósticos mais precisos e terapias que ajudassem o filho autista que só começou a falar aos 4 anos, a psicóloga adquiriu experiência clínica atendendo todos os tipos de casos em emergências de hospitais como parte da ênfase prática do doutorado que cursava. “Os estudos dos Estados Unidos e a vivência pessoal aprofundaram o meu foco em pesquisas voltadas para o desenvolvimento infantil, um interesse que eu tinha mesmo antes da maternidade”, explica.
A volta ao Brasil como especialista em autismo e o trabalho na Unicamp
Em 2018, quando os gêmeos tinham 9 anos de idade, Camila e a família retornaram ao Brasil. Foi uma volta bem planejada para evitar que o filho autista sofresse com uma ruptura mais brusca. “Voltei antes com a mudança para deixar tudo preparado para que meu filho encontrasse a casa com uma organização parecida com a que ele estava acostumado. Seis meses antes do retorno, ele começou a ser alfabetizado em português.”
Logo depois de chegar a Campinas, Camila Canguçu voltou a atender no consultório particular e a atuar na Unicamp, primeiramente como voluntária e atualmente como professora convidada e supervisora do PRATEA, no qual contribui para a formação de profissionais e na ampliação do acesso ao diagnóstico e tratamento especializado para TEA (Transtorno do Espectro Autista)
Hoje, a profissional é referência em saúde mental e em Análise do Comportamento Aplicada (ABA), prática terapêutica reconhecida cientificamente como a mais eficiente no tratamento do autismo. Sua atuação parte do princípio de que todo comportamento tem gatilhos e consequências. “O grito de uma criança tem um porquê. A família e a escola precisam de apoio para entender o que desencadeia cada comportamento e desenvolver estratégias para lidar com cada situação”, explica Camila.
O papel das escolas no desenvolvimento de crianças com autismo
Camila Canguçu atua também no apoio e capacitação das escolas para acolher estudantes com autismo. A psicóloga defende a importância de que as instituições de ensino tenham mediadores que auxiliem na integração de alunos com Transtorno do Espectro Autista.
Segundo a especialista, crises de desregulação em crianças com TEA podem ser previstas e prevenidas com o preparo adequado. “Antes de uma crise, a criança emite sinais como agitação corporal, recusa a ambientes ou choro. Com treinamento, é possível identificar esses sinais e intervir antes que o comportamento se intensifique”, afirma.
Além da técnica, a empatia também é fundamental. “Todos os profissionais envolvidos precisam dominar métodos, mas também desenvolver a capacidade de se colocar no lugar do outro. É isso que garante um ambiente adequado e humanizado.”
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