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Quando foi que você deixou de se escutar?

Foto do escritor: Luti Christóforo
Luti Christóforo
há 4 minutos
3 min de leitura

Luti Christóforo – Psicólogo Clínico


Em algum momento da vida, quase todos nós aprendemos a ouvir tantas vozes externas que acabamos esquecendo de ouvir a nossa própria voz. O que os outros pensam, o que esperam de nós, o que consideram certo, o que consideram sucesso, o que devemos fazer, onde deveríamos estar e até quem deveríamos ser.


No começo, buscamos aprovação porque precisamos pertencer. Depois, continuamos buscando porque temos medo de decepcionar. E, quando percebemos, podemos estar vivendo de acordo com expectativas que nem sabemos mais se são realmente nossas. Talvez você tenha escolhido uma profissão porque acreditaram que seria a melhor para você. Talvez tenha permanecido em uma relação porque tinha medo de ficar sozinho. Talvez tenha desistido de alguma coisa que amava porque alguém disse que aquilo não daria certo. Talvez tenha aprendido a esconder sentimentos porque demonstrá-los parecia sinal de fraqueza.





















E talvez, em algum momento, você tenha começado a confundir aquilo que esperavam de você com aquilo que você realmente queria. Existe uma pergunta que pode ser difícil, mas que merece ser feita: se ninguém pudesse opinar sobre a minha vida, o que eu escolheria?


Não é uma pergunta sobre egoísmo. É uma pergunta sobre autenticidade. Porque ouvir a si mesmo não significa ignorar as pessoas que amamos, abandonar responsabilidades ou fazer tudo aquilo que temos vontade. Significa reconhecer que também precisamos participar das decisões que dizem respeito à nossa própria existência.


Muitas vezes, passamos tanto tempo tentando não decepcionar os outros que acabamos decepcionando a nós mesmos. Dizemos sim quando queríamos dizer não. Ficamos quando queríamos partir. Permanecemos em silêncio quando precisávamos falar. Aceitamos menos do que merecemos porque temos medo de perder aquilo que já temos. E, pouco a pouco, vamos nos afastando de nós mesmos.


O problema é que esse afastamento nem sempre acontece de maneira dramática. Às vezes, acontece silenciosamente. É uma pequena renúncia hoje, outra amanhã, mais uma depois. Até que, anos mais tarde, percebemos que construímos uma vida aparentemente adequada, mas que já não reconhecemos como nossa.


Talvez seja por isso que algumas pessoas, mesmo tendo conquistado aquilo que sempre disseram desejar, ainda sintam um vazio difícil de explicar. Porque conquistar uma vida que os outros admiram não significa necessariamente construir uma vida que faça sentido para nós.


Há uma diferença entre sucesso e realização. Entre ser admirado e sentir-se realizado. Entre ter uma vida que parece boa por fora e experimentar uma vida que realmente tenha significado por dentro.


Talvez você esteja precisando parar por alguns minutos e perguntar a si mesmo: o que eu quero? O que me faz bem? O que já não faz sentido? O que estou fazendo apenas para agradar? O que estou mantendo por medo? E o que eu faria se não tivesse medo de decepcionar ninguém?


Talvez algumas respostas sejam desconfortáveis. Tudo bem. O autoconhecimento nem sempre traz respostas agradáveis. Às vezes, ele nos coloca diante de verdades que passamos anos evitando. Mas enxergar uma verdade pode ser o começo de uma mudança que o silêncio jamais permitiria.


Você não precisa transformar sua vida inteira hoje. Talvez precise apenas voltar a escutar aquela voz que existe dentro de você e que, durante muito tempo, ficou abafada pelo barulho do mundo. Ela pode estar dizendo que você precisa descansar, que precisa mudar, que precisa perdoar, que precisa colocar um limite, que precisa pedir ajuda, que precisa voltar a sonhar ou simplesmente que está cansado de tentar ser alguém que não é.


Escute.


Talvez você tenha passado muitos anos tentando descobrir quem o mundo queria que você fosse. Talvez agora seja o momento de descobrir quem você é quando não precisa provar nada para ninguém.


Porque existe uma vida que acontece quando estamos tentando corresponder às expectativas dos outros. E existe outra que começa quando finalmente temos coragem de perguntar o que realmente queremos fazer com a nossa própria história.


Talvez você não precise encontrar todas as respostas. Talvez precise apenas começar fazendo uma pergunta diferente: se a minha vida é minha, por que estou deixando tantas outras pessoas decidirem como devo vivê-la?


A resposta pode mudar muita coisa.


E talvez seja justamente por isso que você tenha medo de ouvi-la.


Luti Christóforo

Psicólogo Clínico


WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

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