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Ressaca Social Pós-Feriado: Recuperando as Baterias.

  • Foto do escritor: Yasmim Vieira
    Yasmim Vieira
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Como adultos neurodivergentes podem lidar com a exaustão social após festas e feriados prolongados.


A ressaca social pós-feriado é uma experiência comum entre adultos neurodivergentes e se caracteriza por exaustão física, emocional e sensorial após períodos intensos de interação social e quebra de rotina. Feriados e datas comemorativas costumam ser associados a descanso, lazer e conexão. No entanto, para muitos adultos neurodivergentes, como pessoas autistas, com TDAH, altas habilidades ou outras variações neurológicas, esses períodos podem resultar em um cansaço profundo conhecido como ressaca social pós-feriado.


Diferente do cansaço comum, essa exaustão envolve sobrecarga sensorial, esforço cognitivo intenso e desgaste emocional acumulado. Compreender esse fenômeno é fundamental para promover saúde mental, prevenir o burnout e construir práticas de autocuidado mais alinhadas à neurodiversidade.



A exaustão social é um estado de fadiga que surge após demandas sociais prolongadas. Em pessoas neurodivergentes, ela tende a ser mais intensa devido a fatores como, por exemplo, o elevado esforço cognitivo para interpretar normas sociais implícitas, a sensibilidade sensorial aumentada a ruídos, luzes, cheiros e multidões, as quebras de rotina, frequentes em feriados e viagens ou, até mesmo, o esforço contínuo para ocultar características pessoais a fim de atender às expectativas sociais. Os efeitos podem incluir dificuldade de concentração, irritabilidade, necessidade de isolamento, alterações no sono, dores físicas e sensação de esgotamento extremo, frequentemente descrita como “bateria social descarregada”.


Durante festas e encontros, mesmo as experiências positivas, podem exigir um nível elevado de adaptação. O sistema nervoso permanece em estado de alerta por longos períodos, o que gera um custo energético significativo. Quando o feriado termina, as demandas cotidianas retornam, mas o organismo ainda está em processo de recuperação, e ignorar essa necessidade pode contribuir para burnout neurodivergente, queda de desempenho no trabalho ou nos estudos, crises emocionais ou sensoriais, além de autocrítica e sentimentos de inadequação. Reconhecer a ressaca social como uma resposta legítima, e não como falta de capacidade, é um passo essencial para o cuidado. No processo de recuperação pós-festas, é importante planejar o descanso sempre que possível, reservando um período com menos compromissos, entendendo que o descanso é uma necessidade neurológica, não um privilégio.


Retomar a rotina de forma gradual também ajuda, já que rotinas previsíveis regulam o sistema nervoso. Vale começar pelo essencial, como sono, alimentação e atividades conhecidas, sem exigir produtividade imediata. Reduzir estímulos sensoriais, com ambientes mais silenciosos, iluminação suave, roupas confortáveis e pausas de tela, favorecem a recuperação após a sobrecarga, assim como priorizar atividades de baixo custo social, como leitura, música, caminhadas ou séries familiares, que restauram a energia sem gerar nova exaustão. Respeitar e comunicar limites, dizendo “não” a convites adicionais ou adiando interações sociais, é uma forma de autocuidado que reduz a culpa e previne novos esgotamentos. Nomear a experiência, reconhecer “estou em ressaca social”, promove autocompaixão e facilita o diálogo com pessoas próximas e ambientes de trabalho.


Por fim, é importante ficar atento a sinais persistentes: se a exaustão se prolonga por semanas ou vem acompanhada de sofrimento intenso, crises frequentes ou perda de funcionalidade, buscar apoio profissional é recomendado. A ressaca social pós-feriado é uma vivência comum e válida entre adultos neurodivergentes. Falar sobre o tema amplia a conscientização, reduz estigmas e fortalece uma cultura de cuidado mais respeitosa à diversidade neurológica. Recuperar as baterias não significa evitar vínculos ou celebrações, mas aprender a equilibrá-los com pausas, previsibilidade e respeito ao próprio ritmo.


Yasmim Vieira Psicóloga Clínica CRP 06/20210

@psi.yasmimvieira

@clinicaledesmasuarez



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