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TDAH e Natal: entre a empolgação, a culpa e o cansaço emocional

  • Foto do escritor: Luti Christóforo
    Luti Christóforo
  • 22 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

O Natal costuma despertar emoções intensas em pessoas com TDAH. Existe uma empolgação genuína com a ideia de celebração, encontros, presentes e novidades. Ao mesmo tempo, há um desgaste emocional significativo provocado pela desorganização típica desse período, pelo excesso de estímulos e pela quebra da rotina.


Pessoas com TDAH tendem a sentir dificuldade em lidar com múltiplas demandas simultâneas. No Natal, essas demandas se multiplicam. Planejar compras, lembrar datas, organizar horários, participar de encontros familiares, lidar com expectativas emocionais e ainda tentar aproveitar o momento pode se tornar mentalmente exaustivo. A sensação frequente é a de estar sempre atrasado, devendo algo ou esquecendo alguma coisa importante.



Outro aspecto comum é a dificuldade de permanecer presente emocionalmente. Enquanto o corpo está na celebração, a mente está pulando entre pensamentos, preocupações, distrações e estímulos. Isso pode gerar frustração e culpa, especialmente quando a pessoa percebe que não conseguiu aproveitar como gostaria. Surge então a ideia equivocada de que há algo errado com ela, quando, na verdade, trata-se apenas de um funcionamento neurológico diferente.


O Natal também ativa memórias emocionais antigas. Para muitos adultos com TDAH, a infância foi marcada por críticas relacionadas à desatenção, impulsividade ou dificuldade de organização. Nessas datas simbólicas, essas memórias podem reaparecer, trazendo sentimentos de inadequação, vergonha ou medo de decepcionar novamente. A pessoa tenta compensar se esforçando além do limite, o que leva ao esgotamento.


Do ponto de vista terapêutico, é importante ajudar pessoas com TDAH a ressignificar o Natal. Isso inclui reduzir expectativas irreais, simplificar compromissos, priorizar o que é essencial e aceitar que o Natal não precisa ser perfeito para ser significativo. O cuidado emocional passa por entender que presença não é performance e que vínculo não depende de cumprir todos os rituais sociais.


Quando a pessoa com TDAH aprende a se organizar de forma mais realista, respeitar seus limites e comunicar suas necessidades, o Natal pode se tornar mais leve. Um Natal vivido com menos culpa, menos cobrança e mais autenticidade tende a ser emocionalmente mais saudável. Afinal, o verdadeiro encontro começa quando a pessoa consegue estar em paz consigo mesma.


Luti Christóforo

Psicólogo clínico.

WhatsApp: (41) 99809-8887

Instagram: @luti.psicologo

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