Homens neurodivergentes também sofrem em silêncio
- Bruno Landim
- há 2 horas
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Pressõesligadas à masculinidade eoesforçoparaparecersempreadaptado podem esconder sobrecarga, ansiedade e exaustão; avaliação individualizada permite cuidar de fatores físicos, emocionais e neurológicos que ampliam esse sofrimento

Durante muito tempo, a neurodivergência foi percebida principalmente por sinais mais visíveis na infância, como dificuldades escolares, hiperatividade, alterações na comunicação ou comportamentos considerados fora do esperado. Na vida adulta, porém, muitos homens autistas, com TDAH, dislexia ou outros perfis neurodivergentes estudam, trabalham, sustentam famílias e cumprem metas enquanto convivem com sobrecarga sensorial, insônia, esgotamento, ansiedade ou depressão sem conseguir pedir ajuda. Neurodivergência não é sinônimo de doença e não resume a identidade de ninguém, mas pode coexistir com condições de saúde que merecem atenção. A Organização Mundial da Saúde destaca que as necessidades das pessoas autistas variam amplamente e que ansiedade, depressão e TDAH estão entre as condições que podem ocorrer em associação. Parecer autônomo, produtivo ou socialmente adaptado, portanto, não significa necessariamente estar bem.
Parte desse silêncio nasce do encontro entre a camuflagem social e a expectativa de que o homem seja forte, autossuficiente e emocionalmente controlado. Camuflar pode significar ensaiar falas, imitar códigos sociais, conter movimentos espontâneos, suportar ambientes sensorialmente hostis e esconder o esforço necessário para parecer tranquilo. Um estudo publicado na revista Autism encontrou associação entre maior camuflagem e mais sintomas depressivos em homens autistas. Outra pesquisa com adultos autistas registrou, entre os impactos percebidos dessa estratégia, exaustão, isolamento e prejuízos à saúde mental. A isso se soma uma cultura que ainda ensina muitos homens a suportar em vez de comunicar. “Muitos chegam ao consultório depois de anos funcionando no limite. Aprenderam a produzir, resolver problemas e cumprir responsabilidades, mas não a reconhecer o custo físico e emocional de fazer tudo isso diariamente. Parecer funcional não significa estar saudável” , afirma Dr. Bruno Landim.
Em sua clínica na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, Dr. Bruno Landim parte de uma avaliação ampla da história do paciente, que considera sono, alimentação, funcionamento intestinal, rotina, nível de estresse, perfil sensorial, uso de medicamentos, saúde 02 emocional e possíveis alterações metabólicas. A nutrição é trabalhada de forma individualizada, inclusive diante de seletividade alimentar, sensibilidades e rotinas difíceis de sustentar. Reposições de vitaminas e de outros nutrientes podem ser indicadas quando a avaliação clínica e os exames identificam deficiência ou necessidade específica, já que esses desequilíbrios podem agravar cansaço, alterações de humor, sono e concentração, embora não sejam a causa da neurodivergência. A clínica também utiliza abordagens de apoio aos processos fisiológicos de detoxificação, definidas conforme as necessidades de cada organismo e sem substituir tratamentos reconhecidos. “Não existe um pacote pronto para a pessoa neurodivergente. O que fazemos é identificar fatores tratáveis que podem estar aumentando sua sobrecarga. Corrigir uma deficiência, reorganizar a alimentação ou melhorar o sono não apaga a neurodivergência, mas pode devolver energia, clareza e qualidade de vida” , explica Dr. Bruno Landim.
O mesmo critério orienta o uso da neuromodulação e da terapia neural, também oferecidas na clínica. Neuromodulação é um termo amplo, que reúne técnicas distintas e que não podem ser tratadas como equivalentes. No Brasil, por exemplo, a Resolução CFM nº 1.986/2012 reconhece a estimulação magnética transcraniana superficial para indicações específicas, como depressões unipolar e bipolar, e mantém outros usos como experimentais. Uma técnica reconhecida pode ser avaliada em casos selecionados para uma condição associada e devidamente diagnosticada, dentro de sua indicação, mas não deve ser anunciada como cura do autismo, do TDAH ou da neurodivergência. A terapia neural, que utiliza anestésicos locais em baixas concentrações e pontos definidos após avaliação, pode integrar o cuidado de queixas específicas, sem substituir o acompanhamento indicado com psiquiatria, neurologia, psicologia, terapia ocupacional ou outras áreas. “A tecnologia ou a técnica nunca vem antes do paciente. Cada recurso precisa ter uma indicação clara, um objetivo possível e acompanhamento. O propósito não é normalizar o cérebro neurodivergente, e sim reduzir sofrimentos que podem ser cuidados e ampliar a capacidade de viver com mais equilíbrio” , reforça Dr. Bruno Landim.
Romper esse silêncio começa por mudar as perguntas. Em vez de questionar por que aquele homem não consegue simplesmente se adaptar, é preciso compreender quanta energia ele gasta para parecer adaptado, quais ambientes ampliam sua sobrecarga e de que suporte necessita. Família, trabalho e serviços de saúde também têm responsabilidade nesse processo, oferecendo acolhimento, comunicação clara, ajustes possíveis e espaço para que a vulnerabilidade não seja tratada como fracasso. Buscar avaliação não diminui força nem autonomia; pode ser justamente o primeiro gesto para recuperá-las. “Quando um homem consegue dar nome ao que sente e encontra um cuidado que respeita sua forma de funcionar, o silêncio deixa de ser uma estratégia de sobrevivência. Ele passa a ter escolhas” , conclui Dr. Bruno Landim.
Fontes para checagem editorial Referências utilizadas no artigo.
Organização Mundial da Saúde: Autism, atualização de 17 de setembro de 2025.
Gough B, Novikova I. Mental health, men and culture, relatório de síntese da OMS Europa, 2020.
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Conselho Federal de Medicina: Resolução CFM nº 1.986/2012.
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Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos: informações de segurança sobre
programas de detoxificação
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